Um exame simples para uma pergunta séria
O operador de ponte rolante precisa ver a carga a vários metros de altura. A costureira precisa enxergar a agulha de perto o dia inteiro. O motorista precisa ler placas e perceber um pedestre a tempo de frear. Em todos esses casos, a visão faz parte da segurança, e o exame de acuidade visual ajuda o médico a confirmar que ela está adequada.
O exame mede a nitidez da visão para longe e, quando a função pede, para perto. É feito com tabelas de optotipos (letras, números ou símbolos de tamanhos decrescentes), em cada olho separadamente e com os dois olhos juntos.
Funções em que ele costuma aparecer
Quem decide é o médico responsável pelo PCMSO, a partir dos riscos e das exigências de cada cargo. Os exemplos mais comuns:
| Função | Por que a visão importa |
|---|---|
| Motorista, entregador, operador de empilhadeira | Distância, placas, pedestres e obstáculos |
| Operador de máquinas e ponte rolante | Percepção de partes móveis e de cargas suspensas |
| Eletricista | Identificação de cabos, painéis e etiquetas |
| Trabalho em altura | Noção de espaço e ancoragens |
| Montagem fina, costura, controle de qualidade | Visão de perto por longos períodos |
| Operador de monitoramento e telas | Conforto visual e leitura contínua |
Como é feito
- Perguntas rápidas. Uso de óculos ou lentes, cirurgias nos olhos, queixas de vista cansada ou dor de cabeça.
- Visão para longe. O trabalhador lê a tabela a uma distância padronizada, cobrindo um olho de cada vez.
- Visão para perto, quando a função exige.
- Testes complementares, se indicados. O médico pode avaliar também a percepção de cores, importante em funções que dependem de sinais coloridos, como fiação elétrica.
- Registro no prontuário e uso do resultado na conclusão do ASO.
Não esqueça os óculos em casa. Esse é o motivo mais comum para remarcar o exame. Se o trabalhador usa lentes de contato, deve ir com elas.
O que fazer quando o resultado vem alterado
Na grande maioria das vezes, uma acuidade abaixo do esperado se resolve com óculos novos. O trabalhador é orientado a procurar um oftalmologista, e o médico do trabalho decide se ele pode seguir na função enquanto isso ou se precisa aguardar a correção.
Em funções críticas, como dirigir veículos da empresa, pode ser necessário que o trabalhador apresente a avaliação oftalmológica antes da liberação. Para motoristas profissionais, vale lembrar que a habilitação tem exigências próprias do trânsito e, nas categorias C, D e E, há também o exame toxicológico.
E a visão de cores?
A acuidade mede nitidez, não cor. Para funções em que distinguir cores é questão de segurança, como montagem de painéis elétricos, leitura de sinalização luminosa e inspeção de produtos, o médico pode incluir um teste de discromatopsia, a dificuldade de diferenciar algumas cores. Esse tipo de alteração é relativamente comum em homens e muitas vezes a pessoa nem sabe que tem. Identificar cedo permite adaptar a tarefa, por exemplo usando etiquetas com texto além da cor.
O que a empresa recebe
- Resultado da acuidade visual registrado no prontuário e considerado no ASO.
- Orientação ao trabalhador quando houver necessidade de correção.
- Indicação de restrição temporária, se a função exigir.
- Informações para o S-2220, quando o exame faz parte do PCMSO.
Visão também é questão de ambiente
Queixas de vista cansada em vários trabalhadores do mesmo setor podem apontar para iluminação ruim ou telas mal posicionadas, e não para um problema de cada pessoa. Nesses casos, uma avaliação ergonômica ou a medição de iluminação no laudo de agentes físicos resolvem mais do que trocar óculos.
O exame é rápido e geralmente feito no mesmo atendimento do ASO. Agende pelo WhatsApp (62) 3661-0052, de segunda a sexta, das 7h30 às 17h.