Quando o laboratório entra no exame ocupacional
Muita gente imagina que todo ASO vem acompanhado de exame de sangue. Não é assim. O exame clínico é a base de qualquer atestado de saúde ocupacional, e os exames de laboratório aparecem apenas quando existe uma razão técnica registrada no PCMSO. Essa razão pode ser um risco identificado no PGR, uma exigência específica da atividade ou a necessidade de o médico acompanhar um parâmetro de saúde ao longo do tempo.
Por isso a mesma empresa pode ter cargos sem nenhum exame laboratorial e outros com uma lista fixa em cada periódico. O que manda é a função, não o hábito de "pedir tudo para garantir". Pedido em excesso gera custo, atrasa o ASO e não melhora a proteção de ninguém.
Situações em que costumam ser pedidos
Cada PCMSO tem a sua lógica, mas alguns cenários se repetem nas empresas que atendemos:
- Funções que exigem avaliação clínica mais detalhada, como trabalho em altura, operação de máquinas ou direção de veículos, quando o médico entende que um hemograma ou uma glicemia ajudam a concluir a aptidão.
- Exposição a agentes químicos prevista no inventário de riscos. Aqui o caminho principal é o monitoramento biológico, que usa indicadores próprios, mas exames gerais podem complementar a avaliação.
- Exposição ao benzeno, em que o acompanhamento do hemograma ao longo do tempo tem regras próprias. Veja a página da série histórica do benzeno.
- Atividades com manipulação de alimentos ou contato com pacientes, quando o médico do programa indica exames ligados ao controle de doenças transmissíveis.
- Acompanhamento de um achado anterior, quando um resultado alterado em outro exame pede confirmação no periódico seguinte.
Como organizamos a coleta
- Conferência do pedido. Antes de agendar, checamos no PCMSO quais exames estão previstos para aquele cargo e em qual tipo de exame (admissional, periódico, retorno, mudança de risco ou demissional).
- Orientação de preparo. O trabalhador recebe as instruções de jejum ou de coleta de urina com antecedência, para não perder a viagem.
- Coleta. Realizamos ou organizamos a coleta de forma que ela aconteça, sempre que possível, no mesmo dia do exame clínico.
- Resultado para o médico. Os laudos chegam ao médico responsável, que os considera na conclusão do ASO.
Resultado de laboratório não substitui a consulta. A decisão de apto ou inapto continua sendo do médico, depois da avaliação presencial.
O que a empresa recebe
- ASO com a conclusão do médico, considerando os resultados laboratoriais quando houver.
- Registro dos exames realizados, pronto para compor o evento S-2220 do eSocial.
- Orientação sobre exames que precisam se repetir no próximo periódico daquele trabalhador.
- Sinalização ao RH quando um exame previsto no programa não foi feito.
Sigilo dos resultados
Exame de laboratório é dado de saúde. A empresa recebe o ASO com a conclusão sobre a aptidão, e não o detalhe de cada resultado. Os laudos ficam no prontuário médico do trabalhador, sob responsabilidade do médico, como determina a NR-7. Isso protege o funcionário e também a empresa, que evita guardar informação sensível sem necessidade.
Quando revisar a lista de exames
Se a empresa mudou de processo, trocou um produto químico ou criou um cargo novo, a lista de exames do PCMSO deve ser revista junto com o PGR. Também vale revisar quando o RH percebe que todos os cargos fazem os mesmos exames de sangue: isso costuma indicar um programa genérico, que não reflete os riscos reais. A gente analisa o programa atual e ajusta o que for preciso, tanto para incluir o que falta quanto para retirar o que não tem justificativa.
Para ver os outros exames que podem acompanhar o ASO, como audiometria, espirometria e toxicológico, consulte a página de exames complementares.