O risco que não está no inventário
O PGR descreve os riscos das atividades de rotina. Mas o que dizer da troca do telhado do galpão, da limpeza interna de um silo, da instalação de uma máquina nova, do reparo emergencial na rede elétrica? São tarefas que acontecem poucas vezes, com equipes às vezes terceirizadas, sob pressão de prazo. Justamente por isso são as que mais matam. A APR é a ferramenta para tratar esses momentos com o mesmo cuidado das atividades do dia a dia.
Como uma APR é organizada
A análise divide a tarefa em etapas e, para cada uma, responde a três perguntas: o que pode dar errado, qual seria a consequência e o que vamos fazer para evitar. Veja um trecho de exemplo para a troca de telhas de um galpão:
| Etapa | Perigo | Medidas |
|---|---|---|
| Acesso à cobertura | Queda de altura | Escada fixada, linha de vida instalada, cinto conectado antes de subir |
| Circulação no telhado | Ruptura de telha frágil | Passarelas sobre a estrutura, proibição de pisar nas telhas |
| Içamento de material | Queda de objetos | Área isolada embaixo, cordas e cestos adequados |
| Trabalho perto da rede | Choque elétrico | Verificação de distância segura e desligamento quando necessário |
APR, AST e procedimentos: como se encaixam
- APR: análise feita antes de tarefas não rotineiras, novas ou de alto risco.
- AST (análise de segurança da tarefa): formato mais detalhado, passo a passo, útil para tarefas repetidas que precisam de padrão.
- Procedimento operacional: instrução escrita de como fazer a tarefa com segurança, construída a partir das análises.
- Permissão de trabalho: autorização formal para atividades críticas, como trabalho em altura, espaço confinado e trabalho a quente, conforme as NRs aplicáveis.
Normas como a NR-35 e a NR-33 exigem análise de risco e procedimentos específicos para essas atividades. Os treinamentos de trabalho em altura e de espaço confinado complementam esse trabalho.
O que fazemos
- Levantamento das tarefas críticas. Identificamos com a empresa as atividades não rotineiras e de alto risco.
- Análise no local. Acompanhamos a tarefa ou simulamos as etapas com quem executa.
- Modelos de APR. Criamos formulários adaptados à realidade da empresa, curtos o bastante para serem usados de verdade.
- Procedimentos. Redigimos instruções claras para as tarefas que se repetem.
- Capacitação. Treinamos supervisores e equipes para preencher e aplicar as análises no campo.
APR de gaveta não protege ninguém. O formulário preenchido igual todos os dias, com as mesmas palavras, é sinal de que a análise virou burocracia. Um bom modelo pede respostas específicas para a tarefa do dia e é revisado depois de cada quase acidente.
Situações em que mais ajudamos
- Paradas de manutenção em indústrias e frigoríficos.
- Obras e reformas dentro de empresas em funcionamento.
- Entrada de prestadores para serviços elétricos, de telhado ou de limpeza de tanques.
- Instalação de máquinas novas, em conjunto com o laudo NR-12.
O que a empresa recebe
- APRs das tarefas críticas levantadas.
- Modelos de formulário de APR e, quando necessário, de permissão de trabalho.
- Procedimentos operacionais escritos e revisados com a equipe.
- Registro de treinamento dos responsáveis pela aplicação.
Base normativa
A NR-1 pede que o gerenciamento de riscos considere também as atividades não rotineiras e que contratante e contratada troquem informações sobre riscos. NRs específicas, como a NR-10, a NR-33 e a NR-35, exigem análise de risco, procedimentos e, em certos casos, permissão de trabalho, conforme a redação vigente.
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