Laudo da parte e perícia do juízo: qual a diferença
Antes de tudo, vale separar duas coisas que costumam ser confundidas. Quando o juiz nomeia um psicólogo perito, a perícia é do processo, e as partes não escolhem o profissional. Já o laudo descrito nesta página é feito a pedido de uma das partes, em geral por orientação do advogado, para instruir a ação ou dar base técnica aos argumentos.
Isso não muda o compromisso técnico. O psicólogo descreve o que a avaliação encontrou, e não o que a parte gostaria de ouvir. É justamente essa imparcialidade que dá peso ao documento.
Em que tipos de processo aparece
| Área | Exemplos de questão psicológica |
|---|---|
| Trabalhista | Sofrimento psíquico relacionado a assédio, sobrecarga ou acidente de trabalho |
| Cível | Efeitos emocionais de um acidente, de um erro ou de outro evento discutido na ação |
| Família | Dinâmica familiar, vínculos e bem-estar de filhos em discussões de guarda e convivência |
| Previdenciária | Condição psicológica e capacidade para o trabalho em ações contra o INSS |
Por onde começar
- Conversa inicial. Você ou seu advogado explicam o tipo de processo e o que precisa ser esclarecido. Não é necessário enviar o processo inteiro, só as peças relevantes.
- Definição das perguntas. Se houver quesitos, eles orientam a avaliação. Se não houver, a demanda é delimitada em conjunto.
- Avaliação. Entrevistas, análise de documentos e, quando indicado, testes reconhecidos pela psicologia, em quantos encontros forem necessários.
- Redação do laudo. Documento técnico, com linguagem acessível a quem não é da área.
- Devolutiva. A pessoa avaliada conhece o resultado antes de o documento ser usado.
Estrutura do documento
Um laudo psicológico para fins judiciais costuma ter seções bem definidas, o que facilita a leitura pelo advogado, pelo juiz e pela outra parte:
- Identificação: quem foi avaliado, quem solicitou e com que finalidade.
- Descrição da demanda: o que motivou a avaliação e as perguntas a responder.
- Procedimentos: entrevistas, instrumentos e documentos analisados.
- Análise: integração dos dados, com fundamentação técnica.
- Conclusão: respostas objetivas às perguntas, nos limites do que foi possível verificar.
Sem garantias de resultado. Nenhum laudo assegura o ganho da causa. O juízo avalia o conjunto das provas e pode pedir esclarecimentos ou uma perícia oficial.
O que ajuda o advogado
- Enviar com antecedência as peças principais: inicial, contestação e decisões relevantes.
- Formular perguntas que possam ser respondidas por avaliação psicológica, e não por prova documental ou testemunhal.
- Informar se há perícia oficial marcada ou já realizada.
- Combinar com antecedência como o laudo será entregue e a quem.
Lembre que o psicólogo não atua como defensor de nenhuma das partes. O compromisso dele é com a técnica e com a ética da profissão.
O que a pessoa avaliada deve saber
Ser avaliado para um processo costuma gerar ansiedade. É normal. Antes do primeiro encontro, o psicólogo explica a finalidade, quem vai ler o documento e quais são os seus direitos, inclusive o de conhecer o resultado. Responda com naturalidade e diga quando não souber ou não lembrar de algo. Tentar parecer melhor ou pior do que está costuma aparecer nos instrumentos e enfraquece o laudo. Se o assunto do processo for doloroso, como uma situação de assédio ou um acidente, você pode pedir pausas.
Processos trabalhistas e empresas
Se a empresa é a parte e a discussão envolve condições de trabalho, ela também pode precisar de apoio técnico em saúde e segurança. Nesses casos, veja o assistente técnico em perícias e os pareceres técnicos de SST.
Atendemos em Goiânia, de segunda a sexta, das 7h30 às 17h. Para combinar a avaliação, fale pelo WhatsApp (62) 3661-0052.
Preparo, disponibilidade e prazos são informados no agendamento. Muitos exames exigem pedido médico.